Um dia comum, em uma semana comum, uma pessoa comum acorda.
Acorda e faz as suas tarefas diárias, sorri para o cônjuge, beija os filhos, sai em caminhada para o trabalho.
Vê gente, tropeça em mendigos, se interessa pela roupa da vitrine, pensa na dívida que tem que pagar, chega no trabalho.
No trabalho sorri, meio que forçadamente para os colegas, organiza sua pauta do dia... É meio difícil ser jornalista num campo tão corrompido.
Se olha no espelho, percebe que está meio velha, aspecto de cansada, com bolsas nos olhos... Nem parece aquela menina que todos diziam ser linda em tempos de dezessete anos, quando era considerada musa dos poetas marginais da escola, os ladrões de frases de efeito.
Se penteia um pouco pra fugir daquela aparência e percebe que o seu chef está chegando.
O expediente termina, volta para casa e não se sabe o por que, mas novamente tropeça no mesmo mendigo; "Será que ele não sai do caminho?".
Apaixona-se por outro look na vitrine, mas logo lembra-se que não tem dinheiro o suficiente já que se tem que cobrir o cheque daquele dia...
Ah!
E o tempo rouba-lhe a vida, e a rotina escraviza-a com suas garras travestidas de conforto (ou desconforto)...
E sem perceber a vida da pobre jornalista vai fazendo contornos de uma vida sem sentido, sem sabor... Onde tudo resume-se em repetições como essas.
LER AO SOM DE: NOSTALGIA - THIAGO GRULHA
Repetições como essas...
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Contos
O Poder Que Temos
Em nossas mãos está o poder da morte e da vida.
Não é nenhuma arrogância minha dizer isso, mas isso não passa de uma verdade. Você pode até se perguntar: "Eu? Matar alguém? Mas sou tão inofensivo!" ou "Eu? Dar vida a alguém? Mas sou tão insignificante"... Mas é aí que se está a beleza desse cosmo. A dualidade que nisso existe. O bem, o mal, os soberbos e os extremamente humildes.
Você não mata alguém apenas com um revólver, uma faca ou qualquer outro objeto cortante... Essa é apenas a morte física, a dor física.
Existe uma morte que pode ser considerada uma das piores, esta é a morte por palavras, por ações ou simplesmente por falta de qualquer uma dessas.
Essa é aquela morte que nos corroe por dentro, que nos sangra pouco a pouco e gradativamente nos tira o ar. É aquela em que a pessoa nos diz algo que fere profundamente e que demora anos para cicatrizar, é aquela em que a frieza do olhar congela, é aquela em que a ausência de um abraço destrói.
Temos o poder de matar todos os dias as pessoas, e essa morte é a que mais acontece.
Por outro lado podemos dar vida todos os dias.
Podemos salvar vidas de um dia triste com apenas um sorriso, gerar alegria com um abraço... Podemos dar vida quando somos sinceros, quando nos importamos de verdade, quando não nos ausentamos, quando não somos frios...
Podemos salvar vidas quando simplesmente somos educados em um cordial cumprimento como: "Tudo bem?"...
Enfim, temos esse poder em mãos, temos essa arma poderosa e na maioria das vezes nem nos damos conta disso e por vezes nessa estrada da vida acumulamos cadáveres atrás de nós.
Não é nenhuma arrogância minha dizer isso, mas isso não passa de uma verdade. Você pode até se perguntar: "Eu? Matar alguém? Mas sou tão inofensivo!" ou "Eu? Dar vida a alguém? Mas sou tão insignificante"... Mas é aí que se está a beleza desse cosmo. A dualidade que nisso existe. O bem, o mal, os soberbos e os extremamente humildes.
Você não mata alguém apenas com um revólver, uma faca ou qualquer outro objeto cortante... Essa é apenas a morte física, a dor física.
Existe uma morte que pode ser considerada uma das piores, esta é a morte por palavras, por ações ou simplesmente por falta de qualquer uma dessas.
Essa é aquela morte que nos corroe por dentro, que nos sangra pouco a pouco e gradativamente nos tira o ar. É aquela em que a pessoa nos diz algo que fere profundamente e que demora anos para cicatrizar, é aquela em que a frieza do olhar congela, é aquela em que a ausência de um abraço destrói.
Temos o poder de matar todos os dias as pessoas, e essa morte é a que mais acontece.
Por outro lado podemos dar vida todos os dias.
Podemos salvar vidas de um dia triste com apenas um sorriso, gerar alegria com um abraço... Podemos dar vida quando somos sinceros, quando nos importamos de verdade, quando não nos ausentamos, quando não somos frios...
Podemos salvar vidas quando simplesmente somos educados em um cordial cumprimento como: "Tudo bem?"...
Enfim, temos esse poder em mãos, temos essa arma poderosa e na maioria das vezes nem nos damos conta disso e por vezes nessa estrada da vida acumulamos cadáveres atrás de nós.
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Pensamentos
Vai Ficar Tudo Bem
Querida,
Parece que hoje foi ruim pra você.
Não finja,
Ás vezes desabafar
É melhor do que se esconder.
A vida ás vezes é tão complicada
Eu sei, mas um dia
Tudo isso passa.
E a nostalgia vem a nossa mente
Trazendo passados
Alegres e recentes.
Mas vai ficar tudo bem,
Vai ficar tudo bem...
Em um dia simples
Você vai acordar
E perceber que já passou
Abrirá as janelas
E agradecerá
Pois vai ficar tudo bem
Vai ficar tudo bem
Parece que hoje foi ruim pra você.
Não finja,
Ás vezes desabafar
É melhor do que se esconder.
A vida ás vezes é tão complicada
Eu sei, mas um dia
Tudo isso passa.
E a nostalgia vem a nossa mente
Trazendo passados
Alegres e recentes.
Mas vai ficar tudo bem,
Vai ficar tudo bem...
Em um dia simples
Você vai acordar
E perceber que já passou
Abrirá as janelas
E agradecerá
Pois vai ficar tudo bem
Vai ficar tudo bem
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Música
"Cada Zé é um Ulisses, e cada vida uma Odisseia" - Eliane Brum
Acho que já comentei bastante pelo Facebook sobre esse livro (A Vida Que Ninguém Vê da Eliane Brum), só que ainda não o tinha lido por completo, ontem terminei de lê-lo e as palavras de Eliane ao final do livro foram as que mais me surpreenderam: "Cada Zé é um Ulisses e cada vida uma Odisseia".
Analisei bastante essa frase, e notei que ela resume todo o livro e de fato toda a vida.
Ando tendo algumas confusões dentro de mim, não sei de fato o quê... É como se eu estivesse ansiosa por algo novo, cansada das mesmas coisas sempre. Bom, isso pode ser uma das consequências do pensamento imediatista de nossa geração: a ansiedade por algo novo, mas de qualquer forma acredito que ando tendo momentos de tédio, de puro tédio existencial; a procura de algo que faça realmente minha vida servir de uma boa estória pra contar para os netos e não várias páginas repetidas, não momentos repetidos.
Esse livro me encontrou no momento certo, no momento em que o cansaço me resumia, o cansaço de acordar e saber o que se vai suceder como se de alguma forma eu tivesse o script pronto para aquele dia.
Eu queria (e quero!) o surpreendente, o desconhecido! Quero viver algo novo, passar por situações que nunca passei,ter algum adjetivo adequado pra definir minha trajetória... De fato antes desse livro acreditava que minha vida fosse a mais ordinária e comum de todas, mas consegui entender um princípio importante: cada vida é simplesmente extraordinária, somos tão iguais quanto diferentes, tão comuns quanto singulares! Estava cansada de habitar no pluralismo, queria que alguém me visse com um olhar diferente, mais que isso; queria me ver sob uma nova ótica.
Outra coisa que aprendi: o olhar diferenciado.
Olhar para as coisas de forma diferente é nada mais do que desconfiar do óbvio, não ter medo de sair de nossas redomas rotineiras... Encarar o novo!
Minha vida é extraordinariamente ordinária, mais um princípio que devo colocar na cabeça, seguir em frente e encarar os mares confusos dessa minha Odisseia.
LER O TEXTO AO SOM DE: GOOD DAY - PAUL WESTERBERG
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Pensamentos
"Jesus Te Ama! (Mas eu nem tanto)" A Hipocrisia do Amor Cristão
O culto terminava ás nove horas. Era domingo, santo domingo da semana e irmã Maria não perdia um.
Fora criada na religião, era certo que trabalhava demais, durante toda a semana, mas sempre arranjava um tempinho pequeno que fosse para ir á igreja.
Usava saias compridas assim como seus cabelos meio danificados, era uma jovem senhora na verdade... Uma jovem senhora casada de quase quarenta anos.
Sua vida não estava tão bem; seus filhos estavam adoentados, o marido desempregado e seu emprego tomava-lhe todo o tempo, mas o sermão do Pastor prometia-lhe bênçãos vindouras, alegrias, vitórias... E todos esses sermões convencionais de neo-pentecostais. Irmã Maria ouvia e acreditava, seus olhos se umidificavam á medida em que a voz do Pastor se elevava com palavras e chavões típicos.
Nove horas e vinte minutos, este foi o horário do término do evento. Irmã Maria chamou seus pequenos e acompanhou seu marido até a entrada principal do templo, alguns irmãos falavam com ela, mas ela estava apressada... Tinha que acordar cedo.
O templo ficava em frente á uma avenida muito movimentada, por ali passavam todos os tipos de pessoas; com suas cores, cheiros, roupas, religiões e credos. Misturavam-se ao barulho dos carros, ás luzes da cidade...
Maria puxava os filhos com violenta cautela á fim de não serem atropelados, suas mãos o prendiam com força, em sua frente ia o marido segurando o outro filho com uma das mãos e a outra a bíblia.
Em uma das calçadas, muitas pessoas esbarravam na família, a parada do ônibus parecia ser mais longe que de costume.
Um rapaz de seus quatorze anos, escuro, mal vestido e sujo abrigava aquela calçada estava com um grupo de outras crianças parecidas usando drogas lícitas e até ilícitas.
Israel, um dos filhos menores da irmã Maria ficou a olhar os pobres meninos com uma expressão assustada: "Mas o que eles estão fazendo?" pensava o pequeno.
Maria, assim como o resto das outras pessoas nem se davam conta da existência dos mesmos, apenas seguia seu caminho, mas Israel não conseguia andar, estava perplexo!
Sua mãe seguiu o olhar da criança e em uma atitude explosiva tapou os olhos do menino.
- Vamos embora Israelzinho, deixe esses pivetes pra lá!
E falava isso enquanto o puxava.
- Mas mamãe... Jesus ama eles!
Maria não deu muita atenção ao que o filho dizia.
- Jesus vai amar mais ainda se a gente for depressa pro ônibus, esses pivetes estão fazendo o que não devem, o caminho deles é o inferno!
Puxou seu filho com violência, regida pela pressa... Dominada pelo egoísmo.
Entrou no ônibus e seguiram seus rumos.
Era certo que suas vidas não estavam tão bem, mas o que importava aqueles garotos mal-vestidos?
Deus já havia falado com ela, o pastor disse que tudo iria melhorar...
Para ela o dia estava ótimo demais para ser estragado por pivetes pecadores.
Seguiram na "santa" paz de Cristo, ela com uma frase escrita em sua blusa: "Jesus te ama!".
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Contos
Composições: Fé
Desespero;
Ápice das emoções escassas
medo da morte estantânea de
Tudo aquilo que já se sonhou,
Que se acreditou.
Morte das previsões de um tempo bom
Morte de olhos e sinceros sorrisos,
Sonhos perdidos na ambiguidade,
Dessa realidade.
Me perguntam: "Onde é que está tua fé? Para onde vais?"
Me questionam para onde foram as minhas certezas.
Existem momentos em que as respostas simplesmente não respondem.
Questões
De evolução e religião,
Guerras
Entre socialismo e capital...
Quando nada disso faz mais sentido,
No final o que é tudo isso?
Me perguntam: "Onde é que está tua fé? Para onde vais?"
Me questionam para onde foram as minhas certezas.
Mas sei, que haverá um dia em que Ele vai responder,
Sim, meu Deus vai me responder.
Fé
É aquilo que não se pode ver.
Nem se pode tocar.
Fé
É o sentido abstrato de que tudo vai melhorar
Sim, tudo vai melhorar.
Ápice das emoções escassas
medo da morte estantânea de
Tudo aquilo que já se sonhou,
Que se acreditou.
Morte das previsões de um tempo bom
Morte de olhos e sinceros sorrisos,
Sonhos perdidos na ambiguidade,
Dessa realidade.
Me perguntam: "Onde é que está tua fé? Para onde vais?"
Me questionam para onde foram as minhas certezas.
Existem momentos em que as respostas simplesmente não respondem.
Questões
De evolução e religião,
Guerras
Entre socialismo e capital...
Quando nada disso faz mais sentido,
No final o que é tudo isso?
Me perguntam: "Onde é que está tua fé? Para onde vais?"
Me questionam para onde foram as minhas certezas.
Mas sei, que haverá um dia em que Ele vai responder,
Sim, meu Deus vai me responder.
Fé
É aquilo que não se pode ver.
Nem se pode tocar.
Fé
É o sentido abstrato de que tudo vai melhorar
Sim, tudo vai melhorar.
Mais Um Texto Clichê
Já é clichê falar de como o governo anda ruim, de como o amor é a essência da vida, de como não se escuta de verdade Rock'n Roll e do quanto é bom a sensação de se dormir em dias de chuva.
É clichê falar disso e muito mais...
É clichê e por vezes até vergonhoso dizer "eu te amo", abraçar o amigo na frente de todo mundo, cantar bem alto no meio da rua,
Dar risadas estranhas no cinema...
É clichê dizer que o dia está bonito, enxugar os olhos de quem está sofrendo e falar: "Vai ficar tudo bem", ou até mesmo é clichê perguntar para o outro se estar tudo bem, mesmo quando o real sentido não se é de preocupação.
Tudo isso virou costume, costume, jargão, bordão... Clichê.
O que me perturba é saber se realmente estas ações partem de sinceridade, ou se elas moram no vazio e superficialidade que por vezes a rotina impõe: clichê.
Seja lá o que for, vivo dessas eternas manias rotineiras de dizer e fazer essas peculiaridades por vezes supérfluas...
Vivo de clichês, e as vezes me perco neles.
Clichê.
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