Uma idéia fixa, mas não permanente
Sabe aquele amor do período romântico onde as pessoas, exarcebadas e de forma altruísta, iam até as últimas consequências por alguém, e incondicionalmente?
Acredito que não existe.
Analisei isso racionalmente por algum tempo, e isso não é absoluto, mas ao mesmo tempo é a idéia mais fixa que tenho nesses últimos dias.
Não estou dizendo que não exista um amor de verdade, ao contrário, eu o defendo e o considero como esperança diante da banalização de tantos sentimentos humanos nesses tempos.
O que quero falar é exatamente sobre o pensamento de um amor completamente e altruistamente INCONDICIONAL.
As pessoas falam demais essa expressão e terminam por não se apegarem ao significado dessa palavra.
Segundo o dicionário, incondicional significa:
"Que não há restrições, não está sujeito a condições, é um estado absoluto, total, pleno, ilimitado."
Quais são os requisitos para você ter um relacionamento com alguém, falo de qualquer relacionamento?
Basicamente a pessoa tem que ter boa índole, ter os mesmos gostos que os seus, ou pelo menos algo que se identifique com você.
De acordo com o tempo da convivência, a pessoa tem que estar disposta a lhe fazer bem, a ser sincera, mas ao mesmo tempo saber dosar as palavras para não lhe magoar.
Se o relacionamento for amoroso, o cara tem que ser romântico, sensível, compreensivo e ao mesmo tempo firme. A menina; carinhosa, não-ciumenta, confiante, auto-suficiente sem deixar de ser um pouquinho dependente.
Só eu que não consigo ver nisso tudo, altruísmo? Se eu ponho condições é porque não é incondicional, já que isso indica o contrário.
Nós sempre amamos alguém pelo que ela pode nos oferecer, seja materialmente, socialmente, afetuosamente... Nunca damos algo sem esperar em troca, isso é utopia. Os únicos amores incondicionais em que acredito é o de Deus e o das mães.
Acho que o motivo de nosso amor ser falho, é justamente por sermos egoístas por natureza. Eu só aceito uma pessoa por completo e a amo, se ela ME fizer bem, ME tratar bem, ser exatamente ou parcialmente como EU quero...
Queria experimentar, ao menos um dia, a sensação de ser menos mesquinha e amar a pior pessoa do mundo, esperando exatamente nada em troca.
É estranho, e é quase impossível.
O amor humano é falho, é frágil, mas é verdadeiro, é sincero o suficiente para revelar quem somos e por ser assim torna-se autêntico.
Ame, mas pense um pouco antes de usar superlativos absolutos para descrever um possível amor incondicional.
Talvez eu esteja errada, mas... Minhas idéias fixas demoram a se degradar.
SONETO XIV - Elizabeth B. Browning
Tradução: Manuel Bandeira
Ama-me por amor do amor somente
Não digas: «Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente
Minh'alma em comunhão constantemente
Com a sua.» Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade
De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.
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Pensamentos
A Necessidade nos Une
Um dia, comum e tosco dos meus muitos, a energia caiu e eu fiquei por alguns minutos na escuridão da ausência da eletricidade.
Foi curioso perceber nossa primitividade quando estamos longe de luz e TV.
Geralmente vizinhos se encontram, comentam sobre os respectivos motivos do incidente, e não se importam com as roupas, com suas diferenças e nem muito menos com as desavenças do dia anterior, é como se estivessem livres do jugo que pesa sobre todos, todos os dias.
Não importa se está acontecendo problemas na sua casa, ou se o dinheiro está faltando... Naquele momento todos são iguais.
E o ápice desse meu pensamento ocorreu no instante em que todos os que estavam comentando, assim como os que passavam pela rua, olharam para o céu cheio de estrelas.
Contemplamos por alguns minutos, em silêncio, a beleza delas, a pureza delas... Mas não seriam essas as mesmas estrelas que nos clareiam quase todas as noites?
Perceberíamos se não estivéssemos tão ocupados com nossas futilidades, á luz de TV's com canais manipuladores!
Estamos tão acostumados com a correria do dia-a-dia, preocupados se a chuva vai ou não molhar nossos cabelos alisados ou se o anti-vírus do computador está desatualizado, que terminamos não percebendo as coisas mais belas que nos cercam, mesmo que alumiados pela lâmpada elétrica de Thomas Edison.
A vida é simples, simplesmente. Só percebemos isso quando nos despimos da ignorância farsada de inteligência e pisamos no chão da necessidade. As vezes é preciso a fome nos chamar, quase nos afogarmos, ou até quem sabe a luz faltar para podermos voltar ao nosso estado de primitivismo singelo, porque no final de tudo, e por mais fatídico que seja, é a necessidade que nos une.
LER AO SOM DE: O AMOR QUE NOS FAZ UM - PALAVRANTIGA
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Pensamentos
Um episódio corriqueiro
Em um outdoor na rua principal de alguma cidade por esse país, estava estampado uma campanha nova do governo contra a fome. Era natal, e os sinos batiam nas igrejas próximas, as luzes iluminavam mais que os postes, e os carros, apesar de velozes, não estavam tão violentos, de alguma forma tentavam respeitar o clima fraterno da data.
E onde estava Antônio naquilo tudo? Homem de meia idade, atrasado para a ceia em família, com não sei quantos litros de bebida e um suéter novo que tinha comprado pra o seu amigo secreto.
Estava ele esperando o sémaforo abrir, quando se viu diante desse outdoor. Havia uma criança suja e dormindo ao chão na imagem, com algumas letras sensacionalistas e apelativas contra a consciência da sociedade.
"Belo texto publicitário" pensara ele.
Ao seu lado passara um rapazinho de dez anos, mais ou menos, limpando o vidro de seu carro, o sinal abriu, alguns trocos que tinha... Uns trinta centavos, no máximo lhe foram dados.
Antônio seguiu e o garoto também.
E onde estava Antônio naquilo tudo? Homem de meia idade, atrasado para a ceia em família, com não sei quantos litros de bebida e um suéter novo que tinha comprado pra o seu amigo secreto.
Estava ele esperando o sémaforo abrir, quando se viu diante desse outdoor. Havia uma criança suja e dormindo ao chão na imagem, com algumas letras sensacionalistas e apelativas contra a consciência da sociedade.
"Belo texto publicitário" pensara ele.
Ao seu lado passara um rapazinho de dez anos, mais ou menos, limpando o vidro de seu carro, o sinal abriu, alguns trocos que tinha... Uns trinta centavos, no máximo lhe foram dados.
Antônio seguiu e o garoto também.
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Contos
Nem sempre vilões se redimem
É mania minha acreditar em olhos molhados, ver verdade em sorrisos e me convencer que certos erros são consequências de algum sofrimento.
Mas por que causar dor em outro amenizaria a minha dor?
Será, realmente, que alguém é capaz de viver num teatro continuamente, de tal maneira que fingir já se torna algo próprio da personalidade?
Me desculpem, ingênuos, mas sou obrigada a dizer que existem vilões em suas telenovelas, e há pessoas tão más, que fariam de tudo para alcançar seus objetivos, até passar por cima de vocês, com um caminhão vermelho.
Na certa, se têm a possibilidade de que esses vilões tenham tido um passado sofrido e sem amor, e por desconhecerem tal sentimento, não o cultivaram em suas vidas, em seus relacionamentos, em suas ações.
Nós, os ingênuos, somos tão puros, mas tão puros... Que acreditamos, em algum momento que, talvez nós os mudemos com nossa pureza, nosso amor...
Mas o que ainda não aprendemos é que nem sempre vilões se redimem, e há pessoas que deliberadamente gostam desse papel e escolhem permanecerem assim, independente de nossos olhares de Goethe sobre a vida.
Ainda deve haver esperança para essas pessoas, afinal, não posso terminar um texto de forma tão byroniana.
Quem sabe em algum lugar ou momento, elas não reflitam sobre seus atos e de fato mudem?
Eu, até lá e por enquanto ainda acreditarei mais na lealdade e amor dos cachorros.
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Pensamentos
Antídoto Amnésico
Eu não escrevi nada de especial no fim do ano, como geralmente as pessoas fazem.
É claro que a falta da internet teve um peso grande nessa minha decisão, mas não fiz, propositalmente.
Sou obrigada a escrever algo sobre o que isso tudo significou pra mim, digo, no quesito social.
As pessoas, durante o ano todo machucam, ferem, roubam paz, contribuem para as guerras internas de nós todos, e no dia vinte e cinco de dezembro, e logo após no dia trinta e um, como se tivessem tomado a um antídoto amnésico, passam a amar estranhamente umas as outras. Sei que amor é uma palavra forte, mas sigo a linha de Lispector, que na terra da fome o "pão é amor entre estranhos", e na terra da omissão e invisibilidade, os cumprimentos "Feliz ano novo", e "feliz natal" que por alguns segundos remetem ao outro a sensação de estar sendo notado, podem ser uma nova forma do sentimento.
Uma forma errada e estranha; até porque o efeito do antídoto amnésico passa geralmente no dia um do ano novo, e pra ser mais específica, logo após sua soneca de ressaca.
Ora! Vamos acabar com isso!
Tudo é uma farsa, não é mesmo?
Diante desse inquérito, só temos duas opções: tomamos o antídoto amnésico durante todo o ano para esquecermos do quanto somos mesquinhos e egoístas, e do quanto machucamos os outros, ou o usamos nos períodos festivos para assim aliviarmos nossas consciências, sem transformá-lo em uma utilidade demasiada.
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Especial
Tão iguais....
Prédios, céu
Barracos, mansões,
Lama e ostentação.
Contrastes vistos,
nos rostos pintados
de lágrimas ou pó de arroz.
Diferentes, mas com os mesmos sinais vitais,
de quem sangra, vive, chora e morre.
Pois são
Criaturas do mesmo Deus,
são sedentos da mesma água.
Somos tão iguais...
Tão iguais.
O amor que ama
Eu
cansei de me comover com as injustiças sociais e depois de um tempo ser injusta
com alguém. Cansei de chorar com depoimentos de gente sofrida, mas depois
passar por uma delas e nem lhe oferecer um sorriso. Cansei de dizer que quero mudar
o mundo, mas como, se nem minha mente se renova?
Acredito
e admito que sou inconstante, que sou impulsiva, que digo que vou fazer, digo
que vou ajudar, mas termino focando em outras coisas. Já criei muitos textos
ativistas, acho que posso denominá-los assim, já disse da importância de se
ajudar os outros, de se ter amor para com as pessoas, mas será que realmente
tenho vivido isso?
Essa
semana eu assisti um documentário sobre a vida de cinco mulheres catadoras de
lixo na Grande Recife, uma realidade tão próxima, tão... Nossa e nem mesmo
assim enxergamos, digo enxergar de verdade, não olhar de soslaio.
Nesses
últimos tempos eu tenho enfrentado algumas crises de relacionamentos
interpessoais, de confiança nas pessoas, e acreditem... Estava dando muito
valor a isso. Acho que eu foquei em mim, e me esqueci da pequenez do problema.
Sim, “pequenez”. Diante de tantas realidades sofridas, o que são meus
problemas? (se é que são problemas.)
Lembro
que uma delas disse que encontrava restos de comida no lixão, aproveitava da
melhor forma e dava de comer para os filhos. Outra declarou que apesar daquela
vida, levantava as mãos e agradecia a Deus pelo pouco. Uma nem esperança
possuía, de tanto sofrimento.
Me
comovi, é verdade. Comecei a perceber que a vida é bem mais que meus dileminhas
adolescentes, que o mundo é injusto. Comecei a entender quão pequenas e vazias
são as pessoas que resumem tudo a “tem dinheiro – presta, não tem dinheiro –
não presta”.
O olhar
que tenho da vida a partir desse e de muitas outras realidades vistas, foi o de
desprezo por esse sistema frio. Desprezo e nojo.
Há
pessoas que cospem no chão quando veem um gari varrendo a rua, uma prostituta
no sinal, um mendigo, uma criança suja e desnuda... Que mundo é esse? Que mundo
é esse tão nauseante, hipócrita e fútil, de pessoas cheias de ideologias
políticas e sem a simplicidade de amar o outro?
Falta-nos
amor, falta-nos coragem!
Chega de
criar teses sobre injustiças sociais dentro de sua confortável escrivaninha com
ar-condicionado e biscoitos de leite. Chega de dar trinta centavos a cada
moleque de semáforo para aliviar a consciência e seguir no seu carro
conversível do ano. Chega de escutar, ler, escrever canções, textos que falem
da tirania, sem de fato entender, sem de fato mudar. Chega!
Já é
tempo de pararmos com toda essa hipocrisia, de apenas se ter um olhar humano...
De apenas sermos humanos.
E para
isso não precisamos de Marx, Lênin¸ Cazuza ou Platão... Para isso só precisamos
do amor de Deus que é perfeito, que não decepciona, que não é egoísta... O amor
que ama.
Observações:
Remorso
ou arrependimento?
Remorso: Sentimento de culpa; culpa
impulsiva e passageira.
Arrependimento: Tristeza pelo que já fez; tristeza
que provoca MUDANÇA.
“A tristeza segundo
Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva a salvação, e a
tristeza segundo o mundo produz morte.”
II Coríntios 7:10
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