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O Ciclo Viciante - Fernanda Muniz - Os Sinceros




Quando abri meus olhos, cansado, o dia mal havia chegado. Pela pequena janela que havia ao lado de minha cama, pude ver a luz acinzentada de um dia que prometia mau tempo.

Por conta de tudo dentro de mim que me atormentava, me parecia que o mau tempo era proposital , como algo que estivesse ali para me provocar. Poderia ser também que os sentimentos que pulsavam aqui dentro estivessem refletindo no céu, agora mais claro, mas ainda nublado, que me pressionava lá fora.

 Pressão. Não encontrei um melhor termo para expressar como estava me sentindo. Tudo em volta me parecia normal, inofensivo. A típica "bagunça organizada" denunciava o desleixo, com algumas roupas fora do lugar e copos deixados em cima da bancada. O ambiente permanecia o mesmo, era comum, familiar. Talvez o que o deixava diferente e desconfortável fossem meus sentimentos, lembranças e angústias.

Passei o dia pensando em todas as decepcionantes conclusões as quais havia chegado tão recentemente e em como esse tipo de pensamento fazia com que eu olhasse tudo ao meu redor com outros olhos. Olhos mais maduros, mais sensatos, porém ainda decepcionados.

Depois de muito tempo, saí de casa com o intuito de esfriar a cabeça, tentar esquecer um pouco os problemas.

Andei por muito tempo, me pareceram horas. Andei até chegar numa ponte não tão próxima da cidade. Chegando lá, parei e me debrucei sobre o parapeito frio da ponte. Olhei para cima, o sol já se punha e a cor do céu era estonteante. O alaranjado forte em meio às nuvens era incrível. Todas as pessoas em volta andando apressadas, concentradas em seus próprios interesses. Daquela maneira, invisível, em meio a tantos estranhos, ainda trazendo comigo o peso que havia acordado em minhas costas, me sentia mais perdido e sozinho. Assistia ao misto de cores que se transformava rapidamente no céu enquanto mais um dia se passava e me arrastava para cada vez mais longe de minhas antigas esperanças, que agora passei a ver, com meus novos olhos decepcionados, como ilusões.

Tudo em volta mais uma vez me pressionando. A mudança de cores rápida acima de meus ombros lenta e dolorosamente me mostrava que mais um momento de escuridão estava a caminho. O desespero era tangível e me encontrava desconsertado, sem saber o que esperar ou fazer em relação a qualquer coisa.

Dentro de mim tudo estava remexido e, quase sem perceber, a pressão suportada durante todo esse tempo foi liberada do jeito mais primitivo: num grito.

E depois de toda a tensão, volto para casa na nova esperança de que o tempo melhore as decepções e que eu me sinta confortável novamente em meio a roupas jogadas e copos por lavar.
 
 
Fernanda Muniz é uma paulistana de dezessete anos que contribuiu pra o blog com sua interessante releitura do quadro "O Grito" do expressionista Edvard Munch. O legal é que esse texto foi originalmente feito para uma redação com o fim de descrever o personagem do quadro de Munch. Ficou muito bom não foi?
 
 
 

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thainesrecila@hotmail.com  

Um cara extraordinário




Cândido tinha trinta e sete anos, bem casado, e um filho pequeno. Era magro, pardo, barba pra se fazer, uma geladeira, dois quartos... Essas respostas de questionários sociológicos do IBGE. 
Gostava de fotografar, era tão sensível... Nas suas fotos podia se ver os olhos de dona Joaquina da esquina, sim, ela estava lá trás do moço agitado com terno e um café, que por sinal, logo depois da foto, iria ser derramado na roupa cheia de frufrus de uma gordinha que segurava o algodão doce do filho. 
Dia de segunda, sabe? Cândido gostava de transformar os momentos pequenos de segunda, em um grande parque de diversões de domingo.
Andava com os bolsos de sua calça jeans (de um azul desbotado) cheios de moedas para distribuir para os mendigos da ruas. Era o mínimo que podia fazer... "A culpa é minha" pensava ele. 
Era um pouco esquecido. Para ele, as datas não faziam tanta lógica... "Porque hoje não pode ser 12 de felizmaio ao invés de 21 de setembro?". Eram perguntas doidas, ele sabia. É porque ele gostava de 12, e do que aconteceu no mês maio... Conhecera Alice. 
E Alice, detestava esse esquecimento proposital dele, mas o amava por esse mesmo jeitinho de menino ingênuo. E ele era tão ingênuo que Alice as vezes sentia-se como sua mãe.
Não era possível que Cândido não percebesse que existiam certos bêbados fingidos de mendigos que o exploravam! 
Santo Deus! Alguém tire do rosto desse homem a expressão de um desgraçado feliz, por favor? 
E assim ele seguia, nos dias de feriado, claro, andando pela rua, feliz da vida... 
Alice dizia ás amigas que seu marido era um tanto feminino... Muito sensível, muito carinhoso... O cara... Mas ligava tanto pra os outros que se esquecia dela, e dele. 
Se ele soubesse o quanto ela odiava quando ele se esquecia do aniversário do filho, ou do próprio, ou de se acordar cedo pra um compromisso... 
Cândido, no mínimo era lunático. Esquerdista não tão ortodoxo, simplesmente porque começara a sentir raiva da contradição que havia nessa posição política. Isso devia-se ao fato da decepção com as pessoas, da corrupção das pessoas, dessas coisas que ele, entristecidamente, tinha entendido a pouco tempo. 
Mas o que tornava o tal Cândido excepcionalmente extraordinário, era a sua capacidade quase amnésica de perdoar o mundo por ser tão injusto para com pessoas como ele. 
Ele perdoava na esperança de poder um dia fotografar pessoas que sorriam mais ás seis da manhã, na esperança de não encontrar mais aqueles mendigos, nem os exploradores bêbados (ele sabia, Alice.) e também na esperança das ideologias não serem tão decepcionantes. 
Ele acreditava em Deus.
Pena seria se soubéssemos que Cândido é apenas um funcionário público com oito horas diárias, um salário precário... E que apesar de não ser desse mundo, more em um país tão pequeno para a sua alma.  

Ler texto ao som de: JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO - Cícero

O povo tem raiva, Jabor.




Ontem, assistindo ao Jornal da Globo, após uma cobertura das manifestações contra o aumento de passagens em SP, vi o comentário de Arnaldo Jabor. Pensei: "Grande Jabor. Quero ouvir o que ele tem a dizer sobre isso."
Não que eu seja lá alguma coisa para confrontar esse cara (que é o cara!), mas... Não concordei totalmente com a posição dele. 
É certo que só são 0,20 centavos, e que há pessoas vitimizadas que nem estão envolvidas com o protesto, mas... Será que só eu consegui enxergar algo inusitado?
Mas do que passagem alta, mais do que repressão por parte da polícia e omissão do governo, o povo está com raiva!
O povo está com raiva de toda a impunidade, de todo o dinheiro sujo, de toda a miséria, de toda a saúde precária, violência excessiva, corrupção, de todos os "Brasil - Penúltimo lugar na educação mundial",de todo o tráfico de drogas, de todos os marginalizados, de todos os pobres... E inclusive do aumento da passagem do transporte público. Eles estão nas ruas ao som das bombas de gás lacrimogêneo, estão estirados no chão com tiros de borracha, gritando nas ruas, pichando ônibus e estão revoltados.
Não. De maneira nenhuma isso pode ser entendido como pequeno, como pirraça de garotos de classe média, não são só os 0,20 centavos de uma passagem, é o país aprendendo a soltar o choro de anos resumidos em na garganta. 

O povo tem raiva, Jabor. O povo tem raiva.

Porque EU me envergonho desse evangelho... Falso!

"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois
é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego."
Romanos 1:16
Diante de tantos movimentos "santos", marchas pra Jesus, travesseiros abençoados, copos ungidos e pastores show-man, definitivamente não poderia ficar calada.
Sou cristã-evangélica, e começo dizendo que não gosto do Pr. Marco Feliciano na Comissão de Direitos Humanos e Minorias.
Antes de se ter um "Oh" coletivo por parte dos meus amigos de igreja, a minha idéia é simples:
Não estou vendo um posicionamento cristão nele. Ao invés de combater o pecado á luz da bíblia, vejo mais o Pr. Feliciano querendo se promover. Sei que talvez seja apenas um pré-conceito, ou uma imagem que estou tendo, mas não consigo enxergar a parte cristã da coisa, e sim a parte merchan.
Sou contra a prática homossexual, falo isso porque, como cristã vivo de acordo com a bíblia, e por morar em um país laico, tenho o direito de pensar dessa forma.
Tenho que falar, tenho que pregar, tenho que avisá-los do plano maravilhoso de salvação que abrange a TODOS, isso mesmo, a todos, inclusive cristãos.
O pecado da homossexualidade não é maior ou pior do que o seu pecado em julgar o irmão, em se achar superior, em machucar pessoas com suas ações e palavras, em viver uma religião e não a vida de Deus, tudo isso é condenável se não houver o abandono e o arrependimento para com Deus, isso porque não existe pecadinho ou pecadão.
"Porque Deus amou o MUNDO de tal maneira para que todo aquele que NELE CRÊ; Não PEREÇA, mas tenha a VIDA ETERNA." (João 3:16)
Porque ao invés de pregar a graça de Deus em querer salvar o mundo através da morte de Jesus na cruz, livrando o mundo de sua própria ira, as pessoas preferem se promover ás custas do nome de cristão?
A bíblia nos apresenta a vida cristã como uma vida árdua, como um eterno seguir a Jesus carregando sua própria cruz, com os joelhos machucados, com olhos molhados, mas felizes por estar com Ele, por sofrer por Ele... Por ter o privilégio de sofrer por Ele! (Filipenses 1:29)
Seguir a Jesus não é um passaporte para se ganhar novos conversíveis, nem muito menos casas novas e curas de dores de cabeça com copos ungidos em cima de sua TV.
Seguir a Jesus não é entrar para a Wonderland de Alice, quitar todas as suas dívidas, ou cheirar rosas vermelhas milagrosas.
Tampouco seguir a Jesus é dar metade de sua casa para igrejas milionárias, seguir cruzadas de pastores-astros e curandeiros.
Não, Brasil!
"Então ele chamou a multidão e disse: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me."
(Marcos 8:34)
Onde está a renúncia nesse crescimento, nesse inchaço gospel no país?
A cruz que essas pessoas levam, no mínimo, é de borracha leve. Onde tudo isso se resume? No egoísmo humano.
Igrejas neopentecostais crescem muito, por terem como centro o homem, o eu, o que EU quero, o que EU preciso. Não é difícil entender porque tais templos são lotados, abarrotados.
Infelizmente não posso dizer com a mesma felicidade e coragem as palavras que Paulo disse em Romanos 1:16...
Não com esse "evangelho" que criaram, não com esse "evangelho"
sem Jesus, não com esse cristianismo barato... Sem Cristo.
LER AO SOM DE: ÚLTIMOS DIAS - DANIEL SOUZA

"A liberdade é como o sol: o bem maior do mundo." Jorge Amado


Lendo alguns livros com caráter filosófico, sempre me dou com frases loucas como: "O que é liberdade?"
É engraçado ver as pessoas denotando isso, descrevendo isso como algo descritível, por assim dizer.
Não. Liberdade, meus caros, é tão livremente livre que assim nos livramos de explicá-la. Acho que defini bem.
É algo quase imperceptível, não a enxergamos, não a apalpamos, e a resposta é simples: há prisões invisíveis.
Prisões invisíveis são as mais cruéis, ditatoriais e sutis que existem. Não sabemos que somos livres, porque na verdade sempre estamos presos á correntes imaginárias; correntes de pensamento, de paradigmas...
Assim; não saber que é livre já nos torna cativos. 
É complexo.
Simples mesmo é quando nos vemos livres de algum jugo... Jorge Amado dizia que "A liberdade é como o sol: o bem maior do mundo." 
A sensação deve ser a mais simples, como enxergar o sol, depois de anos e anos vivendo sob a escuridão, bem como o exemplo de Platão no seu "Mito da Caverna". Os olhos ardem, os ossos sentem a sensação crucial de estarem sendo expostos ao calor, á luz.

Acho que foi exatamente assim que Malala Yousafzai sentiu-se ao ter se livrado, mais do que da bala em seu cérebro, das balas invisíveis do Talibã no Paquistão.
Enxergar as próprias correntes é o primeiro passo para se livrar da prisão, e Malala não tinha os canhões, nem muito menos a sofisticação dos métodos de guerra do regime de seu país; mas tinha a voz, tinha os dedos, tinha um blog. 
Ela denunciou a repressão em cima da não-entrada de meninas nas escolas. "Por quê não posso estudar?", "Por quê devo aceitar isso de cabeça baixa?".
O resultado foi dramático; um tiro no crânio e a possibilidade de não mais viver.
Pessoas protestaram, o país se mobilizou, a imprensa internacional televisionou os detalhes: "Será que morre?"

Felizmente, Malala sobreviveu e com a vida ganhou o prazer de entrar na escola novamente. Imagino que sua sensação foi a de como se estivesse nascendo de novo, nascendo livre.

Mas sabe... Milhões de meninas no Paquistão vivem o mesmo drama, outras, talvez, nem tenham noção que estão presas. Quais delas seriam as livres? 

Liberdade é sangue.
O preço da liberdade é sangue.
Malala sabe bem o quanto o doou.

Uma idéia fixa, mas não permanente


Sabe aquele amor do período romântico onde as pessoas, exarcebadas e de forma altruísta, iam até as últimas consequências por alguém, e incondicionalmente?
Acredito que não existe.
Analisei isso racionalmente por algum tempo, e isso não é absoluto, mas ao mesmo tempo é a idéia mais fixa que tenho nesses últimos dias.  
Não estou dizendo que não exista um amor de verdade, ao contrário, eu o defendo e o considero como esperança diante da banalização de tantos sentimentos humanos nesses tempos.
O que quero falar é exatamente sobre o pensamento de um amor completamente e altruistamente INCONDICIONAL.
As pessoas falam demais essa expressão e terminam por não se apegarem ao significado dessa palavra.
Segundo o dicionário, incondicional significa:
"Que não há restrições, não está sujeito a condições, é um estado absoluto, total, pleno, ilimitado." 

Quais são os requisitos para você ter um relacionamento com alguém, falo de qualquer relacionamento?

Basicamente a pessoa tem que ter boa índole, ter os mesmos gostos que os seus, ou pelo menos algo que se identifique com você.
De acordo com o tempo da convivência, a pessoa tem que estar disposta a lhe fazer bem, a ser sincera, mas ao mesmo tempo saber dosar as palavras para não lhe magoar.
Se o relacionamento for amoroso, o cara tem que ser romântico, sensível, compreensivo e ao mesmo tempo firme. A menina; carinhosa, não-ciumenta, confiante, auto-suficiente sem deixar de ser um pouquinho dependente.
Só eu que não consigo ver nisso tudo, altruísmo? Se eu ponho condições é porque não é incondicional, já que isso indica o contrário.

Nós sempre amamos alguém pelo que ela pode nos oferecer, seja materialmente, socialmente, afetuosamente... Nunca damos algo sem esperar em troca, isso é utopia. Os únicos amores incondicionais em que acredito é o de Deus e o das mães.
Acho que o motivo de nosso amor ser falho, é justamente por sermos egoístas por natureza. Eu só aceito uma pessoa por completo e a amo, se ela ME fizer bem, ME tratar bem, ser exatamente ou parcialmente como EU quero...

Queria experimentar, ao menos um dia, a sensação de ser menos mesquinha e amar a pior pessoa do mundo, esperando exatamente nada em troca.
É estranho, e é quase impossível.
O amor humano é falho, é frágil, mas é verdadeiro, é sincero o suficiente para revelar quem somos e por ser assim torna-se autêntico.
Ame, mas pense um pouco antes de usar superlativos absolutos para descrever um possível amor incondicional.
Talvez eu esteja errada, mas... Minhas idéias fixas demoram a se degradar.


SONETO XIV - Elizabeth B. Browning
Tradução: Manuel Bandeira 


Ama-me por amor do amor somente
Não digas: «Amo-a pelo seu olhar,
O seu sorriso, o modo de falar
Honesto e brando. Amo-a porque se sente

Minh'alma em comunhão constantemente
Com a sua.» Porque pode mudar
Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
Do tempo, ou para ti unicamente.

Nem me ames pelo pranto que a bondade
De tuas mãos enxuga, pois se em mim
Secar, por teu conforto, esta vontade

De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
Me hás de querer por toda a eternidade.


A Necessidade nos Une


Um dia, comum e tosco dos meus muitos, a energia caiu e eu fiquei por alguns minutos na escuridão da ausência da eletricidade.
Foi curioso perceber nossa primitividade quando estamos longe de luz e TV.
Geralmente vizinhos se encontram, comentam sobre os respectivos motivos do incidente, e não se importam com as roupas, com suas diferenças e nem muito menos com as desavenças do dia anterior, é como se estivessem livres do jugo que pesa sobre todos, todos os dias.
Não importa se está acontecendo problemas na sua casa, ou se o dinheiro está faltando... Naquele momento todos são iguais.
E o ápice desse meu pensamento ocorreu no instante em que todos os que estavam comentando, assim como os que passavam pela rua, olharam para o céu cheio de estrelas.
Contemplamos por alguns minutos, em silêncio, a beleza delas, a pureza delas... Mas não seriam essas as mesmas estrelas que nos clareiam quase todas as noites?
Perceberíamos se não estivéssemos tão ocupados com nossas futilidades, á luz de TV's com canais manipuladores!
Estamos tão acostumados com a correria do dia-a-dia, preocupados se a chuva vai ou não molhar nossos cabelos alisados ou se o anti-vírus do computador está desatualizado, que terminamos não percebendo as coisas mais belas que nos cercam, mesmo que alumiados pela lâmpada elétrica de Thomas Edison.
A vida é simples, simplesmente. Só percebemos isso quando nos despimos da ignorância farsada de inteligência e pisamos no chão da necessidade. As vezes é preciso a fome nos chamar, quase nos afogarmos, ou até quem sabe a luz faltar para podermos voltar ao nosso estado de primitivismo singelo, porque no final de tudo, e por mais fatídico que seja, é a necessidade que nos une.

LER AO SOM DE: O AMOR QUE NOS FAZ UM - PALAVRANTIGA