Em um outdoor na rua principal de alguma cidade por esse país, estava estampado uma campanha nova do governo contra a fome. Era natal, e os sinos batiam nas igrejas próximas, as luzes iluminavam mais que os postes, e os carros, apesar de velozes, não estavam tão violentos, de alguma forma tentavam respeitar o clima fraterno da data.
E onde estava Antônio naquilo tudo? Homem de meia idade, atrasado para a ceia em família, com não sei quantos litros de bebida e um suéter novo que tinha comprado pra o seu amigo secreto.
Estava ele esperando o sémaforo abrir, quando se viu diante desse outdoor. Havia uma criança suja e dormindo ao chão na imagem, com algumas letras sensacionalistas e apelativas contra a consciência da sociedade.
"Belo texto publicitário" pensara ele.
Ao seu lado passara um rapazinho de dez anos, mais ou menos, limpando o vidro de seu carro, o sinal abriu, alguns trocos que tinha... Uns trinta centavos, no máximo lhe foram dados.
Antônio seguiu e o garoto também.
Um episódio corriqueiro
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Contos
Nem sempre vilões se redimem
É mania minha acreditar em olhos molhados, ver verdade em sorrisos e me convencer que certos erros são consequências de algum sofrimento.
Mas por que causar dor em outro amenizaria a minha dor?
Será, realmente, que alguém é capaz de viver num teatro continuamente, de tal maneira que fingir já se torna algo próprio da personalidade?
Me desculpem, ingênuos, mas sou obrigada a dizer que existem vilões em suas telenovelas, e há pessoas tão más, que fariam de tudo para alcançar seus objetivos, até passar por cima de vocês, com um caminhão vermelho.
Na certa, se têm a possibilidade de que esses vilões tenham tido um passado sofrido e sem amor, e por desconhecerem tal sentimento, não o cultivaram em suas vidas, em seus relacionamentos, em suas ações.
Nós, os ingênuos, somos tão puros, mas tão puros... Que acreditamos, em algum momento que, talvez nós os mudemos com nossa pureza, nosso amor...
Mas o que ainda não aprendemos é que nem sempre vilões se redimem, e há pessoas que deliberadamente gostam desse papel e escolhem permanecerem assim, independente de nossos olhares de Goethe sobre a vida.
Ainda deve haver esperança para essas pessoas, afinal, não posso terminar um texto de forma tão byroniana.
Quem sabe em algum lugar ou momento, elas não reflitam sobre seus atos e de fato mudem?
Eu, até lá e por enquanto ainda acreditarei mais na lealdade e amor dos cachorros.
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Pensamentos
Antídoto Amnésico
Eu não escrevi nada de especial no fim do ano, como geralmente as pessoas fazem.
É claro que a falta da internet teve um peso grande nessa minha decisão, mas não fiz, propositalmente.
Sou obrigada a escrever algo sobre o que isso tudo significou pra mim, digo, no quesito social.
As pessoas, durante o ano todo machucam, ferem, roubam paz, contribuem para as guerras internas de nós todos, e no dia vinte e cinco de dezembro, e logo após no dia trinta e um, como se tivessem tomado a um antídoto amnésico, passam a amar estranhamente umas as outras. Sei que amor é uma palavra forte, mas sigo a linha de Lispector, que na terra da fome o "pão é amor entre estranhos", e na terra da omissão e invisibilidade, os cumprimentos "Feliz ano novo", e "feliz natal" que por alguns segundos remetem ao outro a sensação de estar sendo notado, podem ser uma nova forma do sentimento.
Uma forma errada e estranha; até porque o efeito do antídoto amnésico passa geralmente no dia um do ano novo, e pra ser mais específica, logo após sua soneca de ressaca.
Ora! Vamos acabar com isso!
Tudo é uma farsa, não é mesmo?
Diante desse inquérito, só temos duas opções: tomamos o antídoto amnésico durante todo o ano para esquecermos do quanto somos mesquinhos e egoístas, e do quanto machucamos os outros, ou o usamos nos períodos festivos para assim aliviarmos nossas consciências, sem transformá-lo em uma utilidade demasiada.
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Especial
Tão iguais....
Prédios, céu
Barracos, mansões,
Lama e ostentação.
Contrastes vistos,
nos rostos pintados
de lágrimas ou pó de arroz.
Diferentes, mas com os mesmos sinais vitais,
de quem sangra, vive, chora e morre.
Pois são
Criaturas do mesmo Deus,
são sedentos da mesma água.
Somos tão iguais...
Tão iguais.
O amor que ama
Eu
cansei de me comover com as injustiças sociais e depois de um tempo ser injusta
com alguém. Cansei de chorar com depoimentos de gente sofrida, mas depois
passar por uma delas e nem lhe oferecer um sorriso. Cansei de dizer que quero mudar
o mundo, mas como, se nem minha mente se renova?
Acredito
e admito que sou inconstante, que sou impulsiva, que digo que vou fazer, digo
que vou ajudar, mas termino focando em outras coisas. Já criei muitos textos
ativistas, acho que posso denominá-los assim, já disse da importância de se
ajudar os outros, de se ter amor para com as pessoas, mas será que realmente
tenho vivido isso?
Essa
semana eu assisti um documentário sobre a vida de cinco mulheres catadoras de
lixo na Grande Recife, uma realidade tão próxima, tão... Nossa e nem mesmo
assim enxergamos, digo enxergar de verdade, não olhar de soslaio.
Nesses
últimos tempos eu tenho enfrentado algumas crises de relacionamentos
interpessoais, de confiança nas pessoas, e acreditem... Estava dando muito
valor a isso. Acho que eu foquei em mim, e me esqueci da pequenez do problema.
Sim, “pequenez”. Diante de tantas realidades sofridas, o que são meus
problemas? (se é que são problemas.)
Lembro
que uma delas disse que encontrava restos de comida no lixão, aproveitava da
melhor forma e dava de comer para os filhos. Outra declarou que apesar daquela
vida, levantava as mãos e agradecia a Deus pelo pouco. Uma nem esperança
possuía, de tanto sofrimento.
Me
comovi, é verdade. Comecei a perceber que a vida é bem mais que meus dileminhas
adolescentes, que o mundo é injusto. Comecei a entender quão pequenas e vazias
são as pessoas que resumem tudo a “tem dinheiro – presta, não tem dinheiro –
não presta”.
O olhar
que tenho da vida a partir desse e de muitas outras realidades vistas, foi o de
desprezo por esse sistema frio. Desprezo e nojo.
Há
pessoas que cospem no chão quando veem um gari varrendo a rua, uma prostituta
no sinal, um mendigo, uma criança suja e desnuda... Que mundo é esse? Que mundo
é esse tão nauseante, hipócrita e fútil, de pessoas cheias de ideologias
políticas e sem a simplicidade de amar o outro?
Falta-nos
amor, falta-nos coragem!
Chega de
criar teses sobre injustiças sociais dentro de sua confortável escrivaninha com
ar-condicionado e biscoitos de leite. Chega de dar trinta centavos a cada
moleque de semáforo para aliviar a consciência e seguir no seu carro
conversível do ano. Chega de escutar, ler, escrever canções, textos que falem
da tirania, sem de fato entender, sem de fato mudar. Chega!
Já é
tempo de pararmos com toda essa hipocrisia, de apenas se ter um olhar humano...
De apenas sermos humanos.
E para
isso não precisamos de Marx, Lênin¸ Cazuza ou Platão... Para isso só precisamos
do amor de Deus que é perfeito, que não decepciona, que não é egoísta... O amor
que ama.
Observações:
Remorso
ou arrependimento?
Remorso: Sentimento de culpa; culpa
impulsiva e passageira.
Arrependimento: Tristeza pelo que já fez; tristeza
que provoca MUDANÇA.
“A tristeza segundo
Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva a salvação, e a
tristeza segundo o mundo produz morte.”
II Coríntios 7:10
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Especial,
Pensamentos
Por trás dos Holofotes
Quando se está nervoso você é aconselhado a respirar fundo, contar até dez ou até imaginar carneirinhos pulando a cerca para cansar sua mente, fazer seus olhos ficarem sonolentos e a calma consequentemente aparecer.
Mas tem horas que só é você e você. O tempo passa e aquele momento crucial de alguma forma também passará, mas é só você e você... E se existe medo, esse medo consiste em se deparar com sua estrutura fraca, com seus joelhos trêmulos e voz tímida.
Ninguém lhe percebe na maioria das vezes, e isso é uma vitória pra você, mas quando todos lhe vêem, quando você se torna o foco... Simplesmente as coisas tomam outro rumo.
Há pessoas totalmente contrárias; ADORAM aparecer e ser o centro das atenções. Mas pra você, apenas basta um lugarzinho sossegado no mundo, com bons amigos, boas conversas... Sem muita pompa, sem holofotes, apenas uma boa piada, uma brisa suave e um violão acompanhando, porque não se pode faltar música!
Você só precisa de amor, de amigos, de vida... Não precisa de luzes, de aplausos, de platéia...
Mas o mundo é mau, a concorrência é grande, as pessoas querem ficar inchadas, sabe?
Tem gente que pisa pra subir na vida, tem gente que ri quando o outro cai...
É Nando Reis, o mundo não é tão "Bão" como você disse pra Sebastião em sua música.
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Pensamentos
Codinome Solidão
Carol é conhecida por ter o mais belo sorriso, mas nem sempre sorri de verdade.
Carol sente medo do escuro. Ninguém sabe.
Carol gosta de café amargo e chocolates brancos. Nas horas vagas acompanha séries de adolescentes e tem vontade de gritar com aparições de atores bonitos na tela do cinema.
Carol aprecia a sensação dos seus pés na areia, chora com comédias românticas, chupa os dedos depois de comer um bolo quente e ainda arrisca dançar na chuva em tempos onde sua rua está vazia.
Ninguém imagina, mas ela ainda grita por sua mãe quando tem um pesadelo, e tem vezes que até tem medo de dormir novamente para não se ter continuações. Ninguém percebe, mas Carol é apenas uma menina meiga de 38 anos, casada e com obrigações convencionais. Ultimamente vive com os olhos molhados e os ombros cansados de tanto carregar o seu mundo e o dos outros.
Carol existe, de fato...
Existe, mas não vive, e o pior:
ninguém nota.
LER AO SOM DE: NÃO QUERO MAIS ACORDAR ASSIM - FRUTO SAGRADO
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