O Novo Sempre vem
"As pessoas mudam."
Disse isso hoje á tarde numa conversa com os amigos. Talvez eu tenha falado por falar, mas agora me dou conta do poder que essa frase me causa, principalmente agora.
Pensei nisso o dia todo e percebi o quanto é estranho o tempo passar e certas atitudes que antes até condenávamos tornarem-se rotinas em nossas vidas.
A partir disso muitos pensamentos me vieram á mente: Será que um dia irei mudar? Será que a mudança alterará quem realmente eu sou? e o que realmente eu sou? Qual é a minha essência?
Basicamente nossas vidas não estão postas em solo firme, muito do que afirmava ser errado hoje considero certo, pessoas que eu confiei até um tempo atras me decepcionaram e assim por diante.
Hoje, aprendi que nada é certeza, tudo resume-se à duvidas e perguntas mal respondidas.
Talvez eu mude algum dia, talvez não.
O segredo é não ter medo. Não ter medo de mudanças, de tempos ruins... Não ter medo de mudar; não ter medo do novo porque de uma forma ou de outra, ele sempre vem.
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Pensamentos
Mera repetição
Sentir-se bem... Sentir-se mal.
Quando mais nada disso faz sentido, nada mais disso importa.
Acostumar-se a acordar e deixar passar o tempo torna-se a substituição personificada do que chamam de viver... Mas afinal, o que é isso?
"E viveram felizes para sempre" "Viver bem"... Poxa, nem sei.
Sabe quando a gente pronuncia muito uma palavra e depois nem sabe seu significado? Pronto! Acho que as pessoas fizeram dessa palavra uma repetição... Uma simples repetição vazia de significado e até de sentido.
Quando mais nada disso faz sentido, nada mais disso importa.
Acostumar-se a acordar e deixar passar o tempo torna-se a substituição personificada do que chamam de viver... Mas afinal, o que é isso?
"E viveram felizes para sempre" "Viver bem"... Poxa, nem sei.
Sabe quando a gente pronuncia muito uma palavra e depois nem sabe seu significado? Pronto! Acho que as pessoas fizeram dessa palavra uma repetição... Uma simples repetição vazia de significado e até de sentido.
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Pensamentos
Amargo
Não gostava daquele gosto amargo do café, mas apreciava a agressão daquela sensação, pelo menos mantinha sua sanidade, já que estava em um quase estado de coma (como quando estamos muito cansados).
O dia estava cor de sangue, o sol dava seu último vestígio de claridão, e ele estava ali como todos os fins de tarde: encostado á sua janela, aliás pequena janela em um dos últimos andares do Edifício onde morava.
André, este era seu nome.
Sua casa estava um lixo, e seu estado físico não era dos melhores; tinha tido um dia difícil assim como todos os dias de sua existência, mas não gostava desses dramas... Simplesmente sobrevivia, e era assim que tinha que ser.
Sua única companhia era a de um cachorro meio rabugento, das bochechas enormes e que babava o tempo todo. O detestava, mas de vez em quando até que era bom acariciar suas enormes orelhas puguentas, era um jeito sutil de distribuir o que tinha de sobra dentro de si, e isto era a carência.
Não admitia isso nas rodas de conversa que rolavam nos fins de semana com os colegas de trabalho, não gostava de expor o seu lado afetivo, ao contrário: fingia estar sempre bem e em possibilidade alguma deixava transpor as lacunas vazias da sua alma.
Tivera muitos relacionamentos, alguns sérios outros casuais, mas Ela não era rótulo. Não sabia rotular o que tivera com a mulher mais estranhamente linda que já vira...
Seu nome era Luiza, era neta de italianos, o corpo era até bonito, nariz perfeitinho,seus cabelos um buquê de cachos grandes e castanhos, e seus olhos... Ah! Seus olhos eram como grandes estrelas, mas não dessas estrelas arrogantemente brilhantes, na verdade eram tão tristes e sóbrios... Como aquelas estrelas solitárias, que quase ninguém vê. E fora essa singularidade que o aprisionara.
Luiza gostava de o manter preso á seus encantos, tinha um feitiço de mulher travestido nos suaves movimentos de menina meiga. De fato era meiga! Meiga, doce, amarga... Amarga!
Agora sim sabia o por que amava tanto aquela sensação agressiva e amarga que o café daquela tarde lhe trazia.
Ela era dona dele, e ele que se autodenominava "senhor de suas ações" via-se vergonhosamente como um dependente carente de apenas um olhar de afeição, como no dia em que ele a pedira encarecidamente para os dois passarem um final de semana juntos, e ela lhe disse que não, secamente, rudemente... Mas para ele tudo aquilo era lindo!
Era de um lirismo... Ela era tão... Tão cruelmente dona de si! E aquilo lhe encantava.
Mas houve um dia, não digo que estava chovendo (geramente certos escritores apelam para isso), na verdade era um dia comum, comum e á princípio descartável (como a maioria dos dias do ano), André tinha saído do trabalho, mas por mais que estivesse fatigado Luiza o fazia sentir-se como quando se acorda depois de uma noite bem dormida.
Iria encontrar-se com ela num bar próximo, ela tinha mandado um torpedo, e aquilo para ele nada mais era do que uma ordem.
Seus passos estavam acelerados, e seu rosto estava de cômico para ansioso... Estava com tantas saudades dela!
Atravessou a rua quase sem olhar as direções, para ele pouco importava se iria ser atacado ferozmente por um carro em alta velocidade; ao menos morreria feliz.
A reconheceu de longe, e neste dia estava mais estranhamente linda do que em todos os dias; adorava vestir-se inedaquadamente nessas ocasiões, todos a olhavam, riam de suas meias cor de laranja, um short jeans curto e desbotado,boina cinza.
Ela simplesmente os ignorava. Era tão segura de si!
Sentou-se com cuidado.
- Desculpa a demora, o chef hoje estava um ditador... - Começara ele.
- Não, não precisa se desculpar. O que tenho pra falar é simples e direto. Como você bem sabe, detesto rodeios.
Ela tinha a voz firme, firme e doce ao mesmo tempo.
- Ok então fale. Mas antes, você já pediu alguma coisa?
- Pedi uns sucos de laranja.
- Poxa, sucos de laranja? Estou querendo tomar algo forte...
- Não.
- Por quê não? Não posso tomar...
- Não é sobre isso. Estou respondendo a sua pergunta.
- Que pergunta?
- Aquela que você me fez antes de ontem.
André a olhou com os olhos indagadores, por alguns segundos relembrou o que de fato acontecera, e repentinamente todo ele começou a tremer como uma criança com frio em noite de chuva.
A mulher que mais amava, estava destruindo bruscamente seu castelo de areia, seu lindo castelo de areia... Seu estereótipo de vida perfeita com apenas um "Não". Não era um simples "Não" á um convite para passarem um fim de semana juntos; era um "não" para passarem todos os fins de semana de suas vidas juntos.
- Então é isso? - Depois de alguns instantes.
- Isso o quê?
- Você simplesmente me diz "Não" ?
- E eu deveria adicionar algo á isso? Desculpe-me, mas não posso. Acho que não te amo o suficiente, ou... Não tenho certeza se realmente te amo.
Ficara pensativo, questionando a si mesmo olhando-a dentro dos olhos. Queria ver algum vestígio de mentira ali, mas não... Conhecia aquele olhar, um olhar seguro, assim como toda ela.
Ela já tinha o respondido, e aparentava não ter mais o que falar, na verdade ainda procurava palavras.
Levantou-se e foi embora. A deixou analisando a cor laranja do suco, (quem sabe até comparando com a cor das meias, que seja!) Apenas foi-se, bruscamente. Não queria explicações, há coisas que simplesmente não necessitam disso, ao contrário; ás vezes machucam mais ainda.
Foi pisando no chão com força, revidando em tudo e em todos seu ódio contido por ter descoberto que o amor é espada... E a dor que aquilo causa, pode até te trazer sensações boas, mas a dor... A dor é sempre dor!
Desde então, faz as mesmas coisas todos os dias. Joga em cima do seu sofá velho sua pasta, tira seus sapatos sujos do dia, prepara um café forte e amargo, inconscientemente para trazer á sua memória a imagem dela.
E por mais que lute todas as vezes quando vê de sua pequena janela alguma garota esquisita de meias laranjas no meio do vai-e-vem da cidade, ele sobrevive.
Seu cão das bochechas enormes está ali e pra ele aquilo está de bom tamanho.
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Contos
O Soldado que Chora
Passos ao chão, poeira subindo.
São eles; os soldados, os fortes que lutam e pela vida morrem.
Proclamados heróis e ostentando a honra como bandeira, continuam andando rumo á luta, rumo á guerra.
Tem em seus rostos a expressão endurecida de quem já passou por tudo... Por pelo menos quase tudo.
Caminham em silêncio e com cautela, como se qualquer movimento em falso denunciasse a catástrofe.
Mas por trás de toda essa fortaleza, habita a fraqueza. Ninguém imagina, mas esses olhos carregados de certezas, são nada mais do que olhos que choram.
Esses soldados valentes e fortes, também têm medo e muitas vezes fracassam em suas escolhas... Muitas vezes se frustram em suas guerras diárias.
Esses soldados não são nada mais do que humanos. Limitados.
Pessoas comuns que encontramos á cada passo, que esbarramos na fila do banco, que acenamos na rua...
São os que passam na frente da sua casa, os que ensinam com esforço no caos da educação nacional, os que dão sua vida por outros na segurança pública como policiais, os que vendem na beira da praia...
Esses soldados, mais do que tudo, somos nós mesmos.
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Pensamentos
A Revolução de Nós Mesmas
Estou te
convidando para passear, para analisar e refletir sobre um tema não tanto
discutido nos dias de hoje. Sei que você não deve está entendendo muito bem o
que escrevo, mas já adianto que tudo isso não é desconhecido a seus olhos. Já
de pronto, assim quando você aperta o botão, a primeira imagem que vem é de um
comercial de cerveja. As praias sempre são ensolaradas, as pessoas parecem
estar em um eterno feriado e as mulheres, geralmente seminuas, transformam-se
em objetos comparativos com o próprio produto. Não é diferente das propagandas
de carros que usam da clássica estratégia de que você irá conquistar a mulher
dos sonhos quando comprar o carro do ano.
O reclame não dura
muito e a novela das sete começa. Nessas tramas sempre existem núcleos, e em um
desses um conflito se desenvolve: um homem, uma mulher e uma amante. Fazendo
disso um romance, o autor induz o telespectador a aceitar o triângulo amoroso
como uma nova modalidade do mundo moderno. E onde fica a mulher nessa história?
Torna-se um objeto de prazer, um animal irracional guiado pelos instintos
selvagens.
Mas se analisarmos,
toda essa escravização machista regida pela mídia abrange muito mais do que
comerciais e novelas; vem de um conceito formado pelas próprias mulheres de que
“quanto mais bonita for, mas bem sucedida serei.” Não é a toa que a indústria
que mais cresce no país é a de estética. Chega a assustar as lotações nos
consultórios de cirurgias plásticas e os inúmeros cremes de rejuvenescimento. Tudo
isso para ter o corpo igual ao da loira bonitona do comercial, ter o nariz da
Ana Hickmann...
E não pense que essas
mulheres são as que repudiam toda essa desvalorização ao verem tal comercial,
programa ou novela, ao contrário; são elas as que assistem e invejam o corpo da
loira, as que torcem pelo bom final do triângulo amoroso, e as que se imaginam
desejadas pelo homem que comprou o carro. Simplesmente toda essa desmoralização
está enraizada nos próprios conceitos da ala feminina brasileira. Está no
complexo inferior, na autocomiseração em ser mulher.
E isso é ratificado com
ênfase em meados de fevereiro, quando o carnaval toma conta do país. Não é
difícil se ver mulheres completamente nuas pintadas, claro, para que não se
perca a “prudência”, afinal, não se é permitido ficar completamente nua em
público. E ainda por cima se há uma disputa acirrada sobre quem deverá ser a
rainha daquela escola. As vezes me pergunto se isso não é uma questão pessoal
de cada uma, se isso não é apenas uma máscara para disfarçar que aquela Maria
deseja ser rainha, pelo menos por alguns segundos. Se aquele desejo por brilho,
não é uma vontade de ouvir: “Hoje você está bonita”.
Pronto. Desligue a TV. Agora
você pode entender o que me levou a escrever. A revolta com tudo isso me
incomoda profundamente. Acredito que ainda existe possibilidade de uma
reviravolta, basta olharmos para nós e percebermos que valemos muito mais do
que o que dizem. E não me contento em dizer que isso é uma revolução feminista,
vai muito mais além; Estamos diante da revolução de nós
mesmos.
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Especial
Os Paradoxos da Geração Coca-Cola
Crescer vendo-se em um mundo que se transforma a cada dia, é um desafio que cabe á cada um de nós, pobres habitantes.
Diante de tantas reformas, guerras e períodos gloriosos; onde a inteligência evoluiu e pôde-se descobrir a cura para tantas doenças... Vemos que essa geração é por fim a mais irracional e desesperada desses últimos anos.
Desespero na verdade sempre foi um sinônimo relevante de cada indivíduo, porém o grande paradoxo que se alastra sobre estes anos é a irracionalidade da geração mais evoluída: a geração pós-moderna ou geração coca-cola (como na música).
Ao mesmo tempo em que estamos interligados mundialmente pela maior rede de computadores do mundo (a internet), estamos cada vez mais distantes. Ta aí outro paradoxo que me intriga...
As salas de bate-papos lotam, o número de usuários do Facebook aumenta cada vez mais, o jornal impresso cai dando lugar ao jornalismo virtual, as pessoas soltam indiretas pelo Twitter, e na realidade; nada muda.
Continuamos com o sinônimo que nos une: o desespero.
Tudo resume-se a isso.
O desespero de temer ficar só, de olhar para o lado e não ver mais ninguém. De comer sozinho na cozinha, de assistir á reprises de séries antigas em um dia de sexta-feira...
É impressionante o que a carência humana produz: Além de agregar alguns em salas de bate papo á procura de um amor, conduz á vários para uma verdadeira terapia em grupo, onde todos desabafam segredos numa rede mundial na qual todos vêem.
É. de longe se vê que a sanidade não mais faz parte do vocabulário social e que apesar de termos evoluído conforme a cadeia hereditária, na realidade permanecemos os mesmos desesperados de sempre, a única diferença está na intensidade.
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Pensamentos
A Simplicidade Da Vida
Hoje não vim falar sobre poesia, nem livros "cult". Muito menos sobre filósofos que assim como todos nós também procuram o sentido da vida, nas palavras, demasiadamente difíceis.
Cansei de procurar nos dicionários palavras que se encaixem na definição certa do que realmente é a vida. Cansei de ouvir MPB por alguns dizerem que Chico Buarque é o poeta...
Cansei de fazerem um caminho por mim, e de caminharem com minhas pernas para um lugar onde me falam ser a sabedoria.
Existe algo á mais do que superlativos bobos de filmes premiados. Algo bem mais importante do que frases feitas em diálogos de livros de auto-ajuda.
Na verdade, existem coisas tão mais importantes que isso tudo, mais importantes que todo o mundo, que todo mundo no mundo. Existem palavras tão mais essenciais que os nomes científicos, existe mais humanidade do que Homo Sapiens.
Existem os "Você está bem?" sinceros na multidão dos "Eu te Amo" fingidos...
Há mais do que roupas caras e carros conversíveis do ano... Muito mais do que Outdoors de modelos de roupas caríssimas.
As coisas simples da vida, sim, os detalhes são os que mais importam nessa jornada. Sei que isso é bem clichê, mas no final de sua vida você provavelmente não irá lembrar de quanto foi seu apartamento beira-mar, ou que cores foram seus vestidos de gala.
O que realmente importará nisso tudo serão os bons momentos, as boas risadas com os velhos amigos, o abraço apertado, os olhos molhados depois de um filme emocionante com a família, um belo pôr do sol no fim da tarde de um domingo, a cor dos olhos de quem você um dia amou... Enfim, fica evidente de que tudo passa e que essas parafernálias e objetos materiais são tão banais quanto fúteis.
Por isso não vale a pena esquentar a cabeça com essas ou outras coisas... Aproveite, viva!
Porque afinal, você nem sabe se amanhã estará vivo.
A sabedoria da vida habita na simplicidade de quem vive.
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